Desde seu lançamento em 2019, Euphoria, produzida pela HBO, tem sido alvo de debate intenso devido à maneira como aborda temas como o uso de drogas e a sexualidade adolescente. Muitos consumidores da série e grupos como a Parents Television Council, dos Estados Unidos, exigiram a suspensão da produção por considerarem que o programa trata esses assuntos de forma polêmica e, em certos momentos, glamoriza comportamentos prejudiciais.
Além das discussões sobre o conteúdo explícito, denúncias surgiram no decorrer das temporadas envolvendo o ambiente de trabalho nos bastidores. O criador Sam Levinson foi acusado por membros da equipe e do elenco de criar um clima tóxico durante as gravações. Essa tensão teria resultado em diversas desistências de atores e profissionais, algumas marcadas pela morte de três pessoas ligadas à série, incluindo a perda trágica de Angus Cloud por overdose, fato que impactou fortemente a continuidade da produção.
A crítica também se estendeu à forma como Euphoria retrata as personagens femininas, principalmente as mais jovens. Muitos apontaram que a perspectiva adotada pela série parece refletir olhares masculinos que reforçam estereótipos misóginos e criam uma imagem voyeurística dos corpos e histórias dessas mulheres. Episódios que mostram agressões contra essas personagens ou exploram temas sensíveis como relações sexuais com adultos foram interpretados como perigosos na medida em que podem banalizar abusos sexuais ou estupro estatutário.
Outro ponto polêmico gira em torno das cenas envolvendo Jules, personagem transgênero. Há quem veja essas passagens como representações que exploram e desumanizam a identidade da personagem, levantando questionamentos importantes sobre a fidelidade e o respeito ao abordar questões trans. Em paralelo, a reação de famílias preocupadas chamou atenção para a exposição de conteúdos explícitos ligados ao consumo de drogas e sexualidade precoce, especialmente em um público jovem que acompanha a série nas plataformas de streaming, como HBO Max.
O relato de condições difíceis nos sets de filmagem, que mencionou jornadas extensas, inexistência de pausas para alimentação e intervalos para banheiros, gerou repercussão significativa. A HBO respondeu negando essas alegações, mas as tensões continuaram no ambiente de trabalho. Conflitos entre o criador e o elenco foram reportados, como o caso da atriz Barbie Ferreira, que teve seu tempo de tela reduzido e acabou deixando a série, demonstrando um panorama conturbado por trás das câmeras.
O controle autoral também foi um aspecto criticado, principalmente pelo fato de que Levinson é o principal roteirista, escrevendo a maioria dos episódios sem a colaboração de uma equipe maior, o que levantou dúvidas sobre a parcialidade e o direcionamento da narrativa, que por vezes parece construir uma visão única e controversa do universo que pretende retratar.
Sucesso e impactos culturais da série Euphoria
A série Euphoria conquistou um lugar de destaque na programação da HBO, posicionando-se como a segunda produção mais vista da emissora em duas décadas, ficando atrás unicamente de Game of Thrones. A estreia da segunda temporada atraiu quase 19 milhões de telespectadores, superando em mais que o dobro o público que acompanhou o lançamento inicial, um salto que evidencia o crescimento da série.
Além do sucesso de audiência, a produção se destacou na esfera digital, acumulando cerca de 30 milhões de interações no Twitter durante a exibição da primeira temporada, o que a tornou o programa de TV com maior repercussão na plataforma ao longo da última década. A atriz Zendaya, intérprete da protagonista Rue, marcou a história ao se tornar a vencedora mais jovem do prêmio Emmy na categoria de melhor atuação, conquistando este reconhecimento em duas ocasiões consecutivas.
Visualmente, Euphoria também deixou sua marca, influenciando o estilo de diversas pessoas da geração Z com sua proposta estética marcada por jogos de luzes sombrias, roupas vibrantes e maquiagem elaborada com adornos brilhantes. Essa linguagem visual inovadora reflete uma identidade própria da produção, que conversou diretamente com seu público jovem e foi amplamente adotada fora das telas.
Os personagens da série exploram questões adultas e complexas, sendo que a trama avança cinco anos no terceiro ano para mostrar a adaptação desses jovens ao universo pós-ensino médio, o que aprofunda o debate sobre desafios contemporâneos enfrentados pela juventude. O prestígio do programa atraiu nomes de peso para a terceira temporada, como a atriz Sharon Stone, a cantora Rosalía e a atriz Natasha Lyonne, reforçando sua importância cultural e sua capacidade de reunir talentos diversos.
Embora Euphoria traga à tona temas polêmicos e difíceis, sua qualidade narrativa e a entrega dos atores garantem seu reconhecimento como uma das séries mais relevantes da televisão atual. O criador Sam Levinson conduziu o roteiro inspirado em suas próprias vivências com dependência química e o universo hollywoodiano, proporcionando autenticidade e profundidade à história.
O enredo aborda diretamente aspectos como niilismo, consumo de drogas, sexualidade e violência entre adolescentes de classes médias em Los Angeles, retratando elementos que são parte da cultura jovem nos dias de hoje. Segundo o site oficial da HBO, tais temáticas fundamentam a identidade da série, tornando-a um retrato impactante e complexo da geração contemporânea.









