Ambientado na gelada e fictícia cidade de Hawkins, o spin-off animado Stranger Things: Contos de 85 se situa entre os eventos das temporadas 2 e 3 da série original. A trama acompanha os personagens principais — Eleven, Mike, Dustin, Will, Lucas e Max — em uma nova jornada repleta de mistérios, focada em criaturas mutantes que surgem de uma dimensão paralela conhecida como Mundo Invertido.
Optando por uma estética animada com classificação indicativa PG, a produção diverge do tom mais obscuro e ameaçador da série original, apresentando episódios menos sombrios e um humor mais leve e exagerado. Isso permite que as aventuras do grupo sejam retratadas com uma atmosfera descontraída, onde o perigo é mais uma provocação do que um terror de fato.
Embora a maior parte da atenção esteja nos jovens protagonistas, alguns adultos aparecem em participações breves, como Hopper, Nancy e Steve, que ganha destaque em um capítulo específico. A história também introduz personagens inéditos, como Nikki, uma jovem com atitude punk rock que lembra características dos conhecidos Robin e Eddie da série principal.
As vozes dos dubladores capturam bem a essência da amizade e a energia juvenil do grupo, reforçando a impressão de uma narrativa menor em riscos, mais focada em aventura e enigmas do que nas tensões dramáticas intensas. Essa reinvenção mantém o universo da obra original, mas de um jeito mais leve e acessível, disponível para o público no Netflix.
Recepção e Impacto no Universo Stranger Things
O desfecho da série Stranger Things provocou uma divisão significativa entre os fãs, levantando dúvidas sobre os rumos que a franquia deve tomar em seguida. Enquanto a nova produção animada conquistou um público novo e menos familiarizado, os seguidores de longa data expressaram certo desapontamento, especialmente devido a incongruências na cronologia e elementos-chave da mitologia original que parecem ter sido comprometidos. A classificação indicativa mais branda, PG, limitou bastante a capacidade de intensificar o suspense e o terror característicos da obra original, que possui classificação para maiores de 15 anos.
O roteiro incorpora alguns aspectos do universo já estabelecido, mas sofreu críticas consideráveis por criar paradoxos com o material canônico, notadamente nos arcos envolvendo a personagem Nikki e o desenvolvimento do Will. Além disso, os acontecimentos apresentados na série animada raramente são mencionados nos capítulos posteriores da versão live-action, o que pode se dever ao fato da animação ter sido lançada muito depois da saga principal. Em relação ao elenco de vozes, apesar de muitos substitutos terem conseguido captar com fidelidade as nuances das atuações originais, o caso do personagem Jim Hopper não agradou completamente ao público.
É interessante notar que a animação aposta fortemente na nostalgia dos primeiros momentos da franquia, deixando de lado a complexidade e o tom mais sombrio que ganharam espaço nas fases finais da produção original. Algumas escolhas narrativas foram vistas como repetitivas e pouco aprofundadas, especialmente no que diz respeito às relações pessoais, temas que já tiveram exploração mais detalhada em Stranger Things. A ausência de figuras importantes como Joyce e Jonathan também desagradou parte do público, apontando para uma limitação no enredo paralelo criado pelo spin-off.
Por fim, há um consenso crescente de que essa série derivada poderia ter se beneficiado mais caso fosse concebida como uma trama completamente independente, com novos personagens e ambientação distinta, evitando conflitos e contradições com a linha temporal estabelecida na série de sucesso da Netflix. Segundo o site oficial da Netflix, a aposta foi justamente criar uma ponte com o universo já conhecido, algo que, na avaliação de muitos, não alcançou o equilíbrio esperado.









