Bruxas no cinema nunca foram só vilãs de contos infantis — elas representam rebeldia, poder feminino reprimido e o medo do desconhecido que a sociedade tenta controlar. Em 2026, revisitar esses filmes revela como o tema evoluiu de folclore medieval para críticas afiadas sobre misoginia, isolamento e o sobrenatural cotidiano.
Nós do Os Cinéfilos, que já perdemos noites inteiras analisando grimórios visuais e trilhas que parecem invocações reais, selecionamos cinco obras que fogem do óbvio: nada de found footage clássico ou teen drama dos anos 90 repetido à exaustão. São títulos com atmosfera densa, inovação técnica e impacto duradouro, muitos com aprovações críticas acima de 85% e status de cult que crescem ano a ano.
Prepare o incenso (ou só o controle remoto) e sinta o ar ficar mais pesado.
Suspiria (1977)

Obra-prima de Dario Argento, ambientada em uma academia de balé alemã que esconde um coven de bruxas assassinas. Usou cores saturadas (vermelho sangue dominante), trilha prog rock de Goblin e efeitos práticos brutais para criar um pesadelo sensorial. Com 93% no Rotten Tomatoes em restaurações recentes, influenciou gerações de horror visual.
Assistindo, as mortes coreografadas me deixaram hipnotizado e aterrorizado — é como se o filme dançasse em cima do seu medo.
Escolhemos porque revolucionou o giallo com bruxaria europeia autêntica, transformando dança em ritual mortal de forma única.
Häxan (1922)

Documentário-ficcional sueco-dinamarquês de Benjamin Christensen, que mistura reconstituições históricas de julgamentos de bruxas com cenas demoníacas explícitas. Foi banido em vários países por “blasfêmia” e nudez, mas hoje é patrimônio cultural por sua abordagem proto-antropológica da histeria coletiva.
As imagens de sabbats e possessões me deram um frio na espinha histórico — parece um pesadelo medieval projetado em silêncio.
Incluímos porque é o avô do terror de bruxaria: usa fatos reais para mostrar como o medo fabricou bruxas, algo que ecoa até hoje.
The Love Witch (2016)

Dirigido por Anna Biller com estética retrô dos anos 60-70, segue uma bruxa moderna que usa feitiços de amor para encontrar o parceiro ideal — mas tudo dá errado. Filmado em 35mm com cores vibrantes, figurinos handmade e trilha folk, ganhou cult status por sua sátira feminista ao patriarcado.
A protagonista me fascinou e assustou: ela é empoderada, mas o filme mostra o custo cruel da obsessão romântica.
Selecionamos porque transforma bruxaria em comentário social afiado, com visual que parece um sonho (ou pesadelo) vintage.
Hagazussa – A Maldição da Bruxa (2017)

Produção austríaca de Lukas Feigelfeld, ambientada no século XV alpino, acompanha uma mulher isolada acusada de bruxaria após a morte da mãe. Usa slow cinema, paisagens geladas e som ambiente opressivo para construir horror psicológico puro, sem monstros visíveis. Aprovação alta em festivais por sua autenticidade folclórica.
A solidão e a descida à loucura me deixaram sufocado — é terror que vem de dentro, não de jumps.
Escolhemos porque captura o horror rural medieval com realismo cru, influenciando o folk horror moderno de forma sutil e devastadora.
Pyewacket (2017)

Filme canadense de Adam MacDonald sobre uma adolescente que invoca uma entidade bruxa para matar a mãe, mas o feitiço vira contra ela. Baixo orçamento, mas tensão crescente com foco em culpa e arrependimento, ganhou elogios por tratar bruxaria como consequência emocional real.
A entidade aparecendo nas sombras me deu calafrios por dias — é possessão pessoal que dói.
Incluímos porque mostra bruxaria teen de forma madura e aterrorizante, sem glamour, provando que o poder tem preço alto.
A Melhor escolha entre os 5
O próximo passo é invocar um desses cinco agora: abra o streaming (muitos estão em plataformas como Prime ou locação), apague as luzes e deixe a bruxaria te possuir. Minha dica pessoal, depois de revisitar todos em noites chuvosas aqui em Manaus: comece por Häxan se você quer algo histórico e perturbador que muda sua visão sobre o tema. Nós do Os Cinéfilos estamos sempre caçando esses feitiços escondidos — qual desses vai te enfeitiçar primeiro?





