O edifício conhecido como Argyle House, situado na West Port, em Edimburgo, ganhou destaque por sua participação na série Departamento Q, da Netflix, onde serviu como fachada para a estação de polícia nas cenas externas. Construído entre 1966 e 1969, esse exemplo marcante da arquitetura brutalista foi originalmente projetado para acomodar órgãos governamentais locais e nacionais e hoje recebe diversas empresas em suas instalações.
Embora a estrutura tenha sido avaliada como qualificada para receber proteção histórica, a tentativa de conferi-la esse status foi rejeitada pela terceira vez. O projeto da Argyle House enfrenta riscos concretos, já que está prevista sua demolição para dar lugar a um complexo de uso misto. A partir de novembro do ano passado, o conselho de Edimburgo passou a analisar formalmente os planos para essa substituição, enquanto em dezembro e janeiro ocorreram consultas públicas e foi criado um site com informações detalhadas sobre o futuro do local.
Em 2023, a propriedade foi adquirida pela PGIM Real Estate, companhia americana que desembolsou cerca de 38 milhões de libras pelo prédio. Atualmente, a empresa Telereal Trillium mantém contrato de locação até 2033, utilizando o espaço para operações da CodeBase. O comitê responsável pelo design urbano da cidade analisou a situação em fevereiro, e as negociações para a aprovação final do empreendimento ainda estão em curso, em meio a um intenso debate público que busca preservar esse ícone arquitetônico.
Avaliação e critérios do patrimônio para Argyle House
A Historic Environment Scotland (HES) classificou Argyle House como um exemplar significativo da arquitetura comercial moderna na Escócia, especialmente da década de 1960. Elementos específicos do edifício, como os painéis em sílex azul e o acabamento em arenito Blaxter, foram escolhidos cuidadosamente para integrar o prédio ao contexto histórico local, incluindo a proximidade visual com o Castelo de Edimburgo.
Apesar de ser reconhecido como uma construção rara — já que poucos prédios desse porte e época permanecem nas cidades escocesas principais —, a HES decidiu não conceder o status de proteção. A decisão levou em conta o fato de que os planos para a reforma do imóvel estão em estágio avançado, impedindo a listagem enquanto o processo de desenvolvimento estiver em andamento, conforme as diretrizes oficiais da organização.
A designação patrimonial implica que qualquer alteração ou demolição do prédio deve passar por uma autorização específica, embora isso não signifique um impedimento automático à demolição. No sistema da HES, o grau A é atribuído a edifícios com relevância nacional, o B destaca a importância regional e o C indica valor local. Argyle House foi revista recentemente pela HES depois de quase duas décadas, com uma reavaliação mais detalhada que incorporou novos dados sobre o contexto arquitetônico e histórico do período.
Vale lembrar que muitos dos prédios semelhantes foram destruídos, como o antigo Centro de Computação do Royal Bank of Scotland, localizado na Dundas Street. Por fim, o plano oficial de reforma foi preparado pela incorporadora Hendersonherd, que está considerando os contratos de locação existentes para garantir uma regeneração adequada no tempo certo. Segundo o site oficial da Historic Environment Scotland, essa abordagem busca equilibrar conservação e desenvolvimento urbano.









