A série animada Mating Season chega pela Netflix trazendo uma comédia que explora de forma irreverente os dilemas da vida adulta. O projeto conta com a participação dos mesmos criadores por trás de Big Mouth, como Nick Kroll, Andrew Goldberg, Jennifer Flackett e Mark Levin, mas sem representar um derivado direto da produção original.
Ambientada em uma floresta encantadora habitada por animais com características humanas, a trama traz os humanos apenas como elementos de fundo que servem para enfeitar as piadas ou ambientar o cenário. A animação é assinada pelo estúdio Titmouse, que também foi responsável pela produção de Kevin, outra série da Amazon Prime Video que tem conexão criativa com Big Mouth graças ao co-criador Joe Wengert.
No enredo da estreia, encontramos um grupo de personagens principais formado por um urso que tenta encontrar seu lugar no mundo, um guaxinim romântico, uma raposa sapphica e uma corça que encara os desafios da vida de solteira. A história começa com Josh desperto de sua hibernação, descobrindo que sua companheira o deixou por um urso maior, o que o força a se aventurar novamente na esfera dos relacionamentos em um ambiente natural que reflete costumes animais.
Todo o universo social da série gira em torno de pontos como o serviço de encontros fictício chamado Tinklr e o bar Watering Hole, local de convivência dos protagonistas. Ray, um dos personagens centrais, vive seu primeiro amor ao se envolver com uma gansa, cuja voz é interpretada por Annaleigh Ashford. Por sua vez, Penelope lida com um relacionamento conturbado com Summer, uma cadela canadense, cujo romance remete às tramas clássicas de amor proibido.
Temas, estilo e recepção de Mating Season
Em Mating Season, o foco recai sobre os desafios e a busca por conexão afetiva entre animais adultos solteiros, traçando um paralelo inteligente com as relações amorosas humanas. A narrativa explora as complexidades do compromisso, os jogos de conquista e a sexualidade, tudo apresentado a partir de uma perspectiva animal, o que cria uma mistura inusitada e engraçada.
A abertura da série chama atenção ao combinar a icônica música Fooled Around and Fell in Love, de Elvin Bishop, com imagens reais do comportamento de acasalamento na fauna, reforçando esse casamento entre humor e natureza. O uso frequente de bordões e palavrões mantém uma conexão evidente com o público da Netflix, especialmente aqueles familiarizados com a abordagem de Big Mouth, mesmo que aqui o foco esteja mais em experiências adultas do que nas dificuldades da puberdade.
Diferente da série anterior, que mergulhava nos dilemas da adolescência, Mating Season dedica-se a escavar as nuances da vida amorosa adulta, incluindo uma ampla gama de expressões sexuais. Por exemplo, a personagem Lontra personifica referências a gírias usadas por homens gays no reino animal, enriquecendo ainda mais a diversidade representada. Ao substituir costumes humanos, como aplicativos de relacionamentos, por práticas animais — como o ato de cheirar urina para reconhecimento —, a produção traz uma visão irônica e divertida, reforçada pela narração no estilo documental ao melhor estilo David Attenborough.
Além disso, a ambientação sonora ganha destaque pela voz da protagonista em certas cenas, acrescentando camadas emocionais diferentes ao enredo. A série não tem a pretensão de substituir Big Mouth, mas funciona como uma extensão alegre e ousada da mesma vibe irreverente. A combinação de criatividade visual e temas universais do amor adulto ajuda a tornar a experiência tanto engraçada quanto facilmente reconhecível para o público.
Um ponto emblemático está no relacionamento de Fawn com um alce que a rejeita, ilustrando os obstáculos da sexualidade e a importância do suporte social em meio a essas dificuldades. Os roteiros fiam seu humor em estereótipos românticos misturados às bizarrices do comportamento animal. A trama também brinca com tradições inventadas, como a “bat mitzvah” para aves, aludindo ao absurdo cultural de maneira divertida.
Por fim, o programa valoriza a diversão no romance e a liberdade sexual, abandonando o tom carregado e revoltado típico da adolescência presente em Big Mouth. Os protagonistas foram cuidadosamente desenvolvidos para mostrar diferentes formas de amar e os percalços cotidianos do namoro entre adultos, contribuindo para que a série dialogue com quem já passou das fases de descobertas da juventude, mas ainda navega nos altos e baixos do coração.









