O documentário disponibilizado na Netflix traz uma narrativa extensa, dividida em quatro partes, que ultrapassa as quatro horas de duração. Ele oferece um panorama sobre a trajetória do lutador Hulk Hogan, mesclando episódios marcantes de sua carreira, assim como aspectos pessoais e controvérsias que marcaram sua vida.
Desde a infância, o filme apresenta Hogan como um garoto introspectivo, magro e vindo de um lar rígido. A busca por reconhecimento o levou a adotar o nome Hulk Hogan, que acabou se tornando sinônimo de sucesso na luta livre. No entanto, sua jornada não foi sem percalços: a produção mostra a tensão ocorrida durante o lançamento da Raw da Netflix em Los Angeles, quando foi vaiado pela audiência, episódio que Hogan negou, mas que seu amigo Jimmy Hart confirmou como doloroso.
No documentário, Hogan admite que negou o uso de esteroides em 1991 durante uma participação no The Arsenio Hall Show, mas depois refletiu que faria diferente se pudesse voltar no tempo. Curiosamente, a produção evita detalhar o conteúdo racista de um vídeo íntimo que foi divulgado sem o consentimento dele, suavizando esse ponto delicado. Ainda na esfera pessoal, o ex-lutador revela os desafios enfrentados com a saúde, incluindo tratamentos com remédios pesados como fentanil, e a perda do irmão Alan, vítima de overdose pouco depois de se reaproximarem.
O documentário também traz depoimentos importantes, como o da ex-esposa Linda Bollea, cuja presença evidencia um amor genuíno que tiveram. Vídeos caseiros e momentos em família, mostrando Hogan ao lado dos filhos, humanizam ainda mais a figura pública. Ao mesmo tempo, ele relata o impacto que teve perceber que a luta livre era um espetáculo e não uma competição real, o que serviu para aliviar o peso de sua persona no ringue.
Figuras renomadas surgem no filme, entre elas o presidente Donald Trump e Jesse Ventura, mas conflitos anteriores entre eles e Hogan são deixados de lado. Paul Levesque, executivo da WWE, reconhece que a promoção do retorno de Hogan em 2002 foi um equívoco, especialmente considerando a reação negativa do público, que também foi comentada por Cody Rhodes, ressaltando como a exposição extrema da vida pessoal afetou o apoio dos fãs.
A obra aborda a dificuldade de Hogan em lidar abertamente com suas vulnerabilidades, revelando sinais de desgaste tanto emocional quanto físico durante as filmagens. Essa ambiguidade entre aclamação, polêmicas e rejeição compõe a complexa imagem que ele carrega. Conforme afirmado pelo próprio Jimmy Hart, a hostilidade enfrentada em público foi uma experiência profundamente dolorosa para Hogan, que tentava resguardar sua reputação minimizando os episódios mais controversos da trajetória.







