A trajetória da franquia Frankelda começou em 2001, quando a série em stop-motion foi lançada na HBO Latam, conquistando um público fiel com sua narrativa fantástica. Roy e Arturo Ambriz, irmãos mexicanos, são os idealizadores tanto da série original quanto do longa-metragem que expande essa história. Lançado em junho na Netflix, o filme “Eu sou Frankelda” mergulha no México do século XIX, mostrando a protagonista navegando por um universo criado dentro de sua mente.
A produção do filme é um feito inédito, sendo o primeiro longa mexicano feito em stop-motion, e representa uma mescla de técnicas tradicionais feitas à mão com elementos multimídia, resultando em uma estética única. Desde o início, o renomado Guillermo Del Toro foi um apoio importante para os irmãos Ambriz, atuando como um mentor e incentivador do projeto desde o seu curta inicial.
O financiamento da obra envolveu grandes desafios. Embora a Warner Bros. tenha contribuído com aproximadamente um terço dos recursos necessários, os irmãos tiveram que investir suas próprias economias e até hipotecar seu imóvel para que o projeto fosse finalizado. Mesmo frente a dúvidas e dificuldades financeiras, “Eu sou Frankelda” foi bem-recebido e se destacou nas bilheterias mexicanas após a sua estreia nos cinemas, confirmando a força da história e do trabalho dos seus criadores.
Distribuição e Impacto do Filme
O Netflix assumiu a responsabilidade pela distribuição do longa para audiências ao redor do mundo, elevando sua visibilidade no mercado global. Essa parceria contou com o respaldo direto de Guillermo Del Toro, que atuou como um facilitador nas negociações, garantindo que o projeto alcançasse a plataforma com suporte robusto para sua divulgação.
Além disso, a Netflix prepara uma dublagem especialmente cuidadosa, que promete superar a versão original em espanhol, proporcionando uma experiência ainda mais envolvente para diferentes públicos. O filme se direciona principalmente àqueles que cultivam a criatividade, mas sentem que suas vozes muitas vezes não encontram espaço para serem ouvidas.
Os criadores Ambriz destacam que a obra é um tributo à produção artesanal, com clara valorização do trabalho manual em contraponto ao crescente uso da inteligência artificial. Para eles, o ideal é estimular o público a enxergar a arte feita com dedicação e técnica tradicional, incentivando quem mais precisa de representatividade e inspiração.
Vale ressaltar que, no México, a película conquistou público e crítica, mesmo diante dos desafios estruturais existentes, já que o país carece de uma infraestrutura adequada para o stop-motion. A receptividade local foi crucial para que o filme chamasse a atenção internacional e ganhasse um espaço importante no cenário audiovisual global.
Outra particularidade do projeto é a preferência dos realizadores por narrativas mais longas e elaboradas, como filmes, séries e livros, rejeitando a ideia de formatos curtos que normalmente dominam a produção independente. Inicialmente concebido para ser um especial de cerca de uma hora, o filme ganhou peso e dimensão muito maiores, refletindo o esforço de amplificar uma história com profundidade e impacto duradouro.









