A segunda temporada de Beef já está disponível para quem assina Netflix, trazendo a continuação da trama criada e dirigida por Lee Sung Jin, com produção da renomada A24. Nesta nova fase, a narrativa apresenta os personagens Ashley Miller e Austin Davis, recém-comprometidos que trabalham em um country club, onde também atuam Joshua Martín e Lindsay Crane-Martín.
O enredo dessa temporada se desenrola a partir de um encontro que desencadeia uma série de jogadas complexas entre os protagonistas. Diferentemente do primeiro ciclo, o conflito ganha um tom mais sutil, marcado por uma tensão passivo-agressiva. Lee Sung Jin fez uma escolha interessante ao focar no embate entre membros da geração Z e millennials, aproximando os anos das experiências vividas por esses grupos, ao invés de confrontar gerações muito distantes.
As cenas externas foram filmadas majoritariamente no Montecito Club, em Santa Barbara, enquanto o Spanish Hills Club, em Camarillo, recebeu as filmagens internas. Além disso, partes importantes da ambientação foram construídas em estúdio para aprofundar a simbologia do country club, que funciona como uma metáfora para as divisões sociais e econômicas nos Estados Unidos, onde gerações Silent e Baby Boomers contrastam com trabalhadores millennials e da geração Z.
A trilha sonora recebeu atenção especial e foi composta em conjunto com a supervisora musical Jen Malone. A seleção, influenciada pelo final dos anos 2000 e início da década de 2010, ajuda a evocar o período em que Joshua e Lindsay se conheceram e estabeleceram seu romance, ampliando o contexto emocional da série.
Processo criativo e influências de Lee Sung Jin
Quando pensamos na gênese da segunda temporada de Beef, é impossível não destacar o papel fundamental de Lee Sung Jin. Após receber uma mensagem direta no Instagram de RM, do BTS, convidando-o para dirigir um videoclipe, Lee enxergou essa experiência como um momento decisivo que o motivou a retornar para as filmagens da série na Coreia. Essa jornada estendeu-se para o elenco diverso desta temporada, que reúne nomes como Oscar Isaac, Carey Mulligan, Cailee Spaeny, Charles Melton, Song Kang e Youn. Desde os primeiros encontros virtuais, eles se mostraram acessíveis e engajados, criando uma atmosfera colaborativa fundamental mesmo diante da ausência de vínculos prévios entre os atores.
Lee Sung Jin abordou a criação dos personagens de forma inédita na nova temporada: diálogos profundos e colaborativos ajudaram a moldar cada papel, demonstrando uma mudança significativa em relação à primeira temporada. Reconhecendo que repetir fórmulas não traria a inovação desejada, ele buscou constantemente maneiras originais de explorar e estruturar a narrativa, valorizando a experimentação para manter a série fresca. Além disso, a trilha sonora acompanhou a evolução da história: enquanto a primeira temporada teve como referências o grunge e o rock alternativo dos anos 1990, a segunda transita para canções emblemáticas dos anos 2000 e início da década seguinte. Essa escolha musical esteve sempre alinhada com a supervisora de som Jen Malone, cuja parceria próxima garantiu coerência com o conceito criativo de Lee.
A escrita de Beef é fruto de um olhar atento à vida cotidiana do diretor, que emprega abstrações baseadas em experiências reais para construir a trama, evitando qualquer representação direta de fatos específicos. Curiosamente, a afinidade de Lee com música e séries já vem de longe: ele manteve um blog chamado “Silly Pipe Dreams”, onde reunia e compartilhava músicas usadas na televisão, um espaço que ajudou a consolidar seu apurado gosto musical e influenciou diretamente suas decisões sonoras para a produção. Assim, o processo criativo de Lee Sung Jin se revela um equilíbrio cuidadoso entre experiências pessoais, colaborações artísticas e uma meticulosa curadoria musical.









