Eu Sou Frankelda se destaca como o primeiro longa-metragem mexicano inteiramente criado em stop-motion, um marco para a animação do país. O elenco de vozes conta com Mireya Mendoza, Arturo Mercado Jr. e Luis Leonardo Suarez, que dão vida aos personagens centrais desta produção única. Lançado originalmente no ano passado durante o prestigiado Festival de Annecy, o filme logo chamou atenção internacionalmente.
A trama se desenrola no México do século XIX e acompanha a trajetória de Frankelda, uma escritora cuja imaginação sombria não encontra acolhida em sua época. À medida que seus contos são rejeitados, ela é misteriosamente levada para seu próprio subconsciente, onde suas criações inquietantes tomam forma. Nesse universo, Frankelda recebe auxílio de Herneval, um príncipe que vive na fronteira entre sonhos e pesadelos, guiando-a em uma jornada para restaurar a harmonia entre a ficção e a realidade.
Entre os desafios enfrentados está o antagonista Procustes, um escritor que trama controlar o caos provocado pelo desequilíbrio dos mundos paralelos. Além disso, a relação entre Frankelda e Herneval se aprofunda, dando origem a um laço cheio de nuances que coloca em xeque sentimentos intensos e possibilidades inimagináveis. O filme aborda, assim, o poder da narrativa e da criação como formas de resistência e transformação.
No início deste ano, a Netflix adquiriu os direitos de exibição do longa, trazendo esta obra singular ao público global. Segundo o site oficial da Netflix, a estreia na plataforma terá grande alcance, permitindo que essa história original caia nas graças dos fãs de animação e cultura mexicana.
Detalhes da produção e criação
A concepção de Eu Sou Frankelda nasceu da colaboração entre os irmãos Arturo Ambriz e Roy Ambriz, que estiveram à frente da escrita, produção e direção do projeto. A trilha sonora, assinada pelo talentoso compositor Kevin Smithers, complementa a narrativa com uma atmosfera sonora única e envolvente. No design de produção, Ana Coronilla e Bruce Zick conduziram o visual do filme, enquanto Beto Petiches aplicou sua experiência para assegurar a fluidez da animação. A fotografia ficou sob a responsabilidade de Irene Melis e Fernanda G. Manzur, que captaram a essência estética da obra com precisão.
Arturo e Roy Ambriz cresceram imersos em um universo de imaginação, onde passavam horas criando e desenhando personagens que, para eles, representavam companheiros e referências importantes. Eles enxergam a ficção não apenas como entretenimento, mas como um meio poderoso para interpretar e refletir a realidade. Em Eu Sou Frankelda, essa visão se manifesta na relação simbiótica entre Frankelda e Herneval, elementos centrais do filme que exploram a conexão entre criador e criatura. A produção combina uma variedade de elementos — monstros, melodrama, música e referências culturais mexicanas — para construir um mundo rico em simbolismo.
O filme gira em torno do esforço incansável da criadora para ser atendida e compreendida, mesmo diante da resistência que enfrenta. A narrativa expressa uma mistura potente de intensidade emocional e raízes culturais do México, refletindo as vivências pessoais dos irmãos Ambriz e a complexidade dos laços entre a arte e a existência humana. Essa fusão torna a obra singular, chamando atenção para a força da voz criativa mesmo nas adversidades.









