No ano de 2023, Zora Hertel, uma experiente treinadora de cavalos, se viu vítima de ferimentos graves enquanto trabalhava nas gravações da minissérie A Antiga América. O episódio ocorreu no Rancho Bonanza Creek, localizado ao sul de Santa Fe, onde a equipe lidava com um animal conhecido por seu comportamento instável, apelidado de Raven.
Segundo o site oficial da Netflix, o cavalo permaneceu confinado por quatro dias em um estábulo antes do acontecimento trágico. Raven já tinha um histórico preocupante, tendo sido recusado pela série Yellowstone por apresentar atitudes agressivas, o que lhe rendeu a alcunha de “Raven, o Assassino de Treinadores”. No início das filmagens, o animal havia machucado outro profissional, deslocando seu ombro.
No decorrer do trabalho, o cavalo rompeu um poste de amarração e saiu em disparada junto de outros animais, criando um momento de alta tensão. Apesar do medo evidente, Zora foi orientada a montar Raven no dia do acidente. Quando iniciou o trote, o cavalo reagiu de forma violenta, saltando e arremessando a treinadora contra a lateral metálica de um trailer. O impacto resultou em lesões graves no pescoço, cabeça e costas de Zora.
Após a queda, o animal continuou a pisoteá-la e chutá-la repetidamente. A treinadora conseguiu se refugiar dentro do trailer, onde permaneceu até que Raven fosse finalmente dominado. Mesmo contido, o cavalo manteve um comportamento agressivo. As consequências para Zora foram severas e duradouras, incluindo traumatismo craniano e episódios de convulsão. A defesa argumenta que o isolamento prolongado no estábulo piorou o temperamento do animal.
A produção, que se passa no século XIX no Velho Oeste, foi disponibilizada em 2025 como uma temporada limitada na plataforma Netflix. Além da gigante de streaming, a ação judicial cita a empresa Gentle Jungle, responsável pelo fornecimento dos cavalos, e o treinador local Rancho Corazón, apontados como corresponsáveis pelo acidente.
Críticas organizadas contra o uso de animais na produção
Grupos defensores dos direitos dos animais têm se manifestado fortemente contra a presença de seres vivos nos bastidores da série A Antiga América. A organização Pessoas pelo Tratamento Ético dos Animais (PETA) expôs suas críticas publicamente, alertando para o emprego de cavalos, bois, porcos e lobos durante as gravações, o que gerou desconforto e sofrimento para esses seres.
Em suas redes sociais, a entidade lançou uma campanha com o objetivo de estimular a substituição completa de animais reais por tecnologias como efeitos digitais e animatrônicos, apontando esses recursos como alternativas mais seguras e humanitárias. Além disso, a PETA encaminhou uma carta formal ao produtor executivo da série solicitando que as cenas envolvendo animais vivos fossem repensadas, requerendo que fossem adotadas outras soluções; porém, até o momento, essa solicitação não obteve resposta.
O foco das acusações também recai sobre a empresa Gentle Jungle, responsável pelos cavalos utilizados na produção. Segundo o site oficial da PETA, essa fornecedora já acumulou ao menos 28 infrações à legislação federal de proteção animal, envolvendo falhas que vão desde a ausência de abrigos adequados até cuidados veterinários insuficientes. Tal histórico levanta suspeitas quanto ao ambiente e tratamento que os equinos receberam no set.
Além disso, os relatos da organização vinculam a gravidade dos ferimentos sofridos pela trabalhadora Zora Hertel a possíveis abusos cometidos contra os animais, destacando uma prática recorrente de negligência que, segundo a PETA, é comum em produções audiovisuais. A entidade defende o uso de tecnologias como computação gráfica, imagens previamente registradas e robótica para preservar a integridade dos animais enquanto mantém a qualidade das cenas.









