O grupo fundamentalista mórmon conhecido como FLDS teve como líder mais notório Warren Jeffs, que atuava em Short Creek, Utah. Jeffs acabou ganhando destaque negativo em 2006, quando foi incluído na lista dos 10 Mais Procurados do FBI, depois que fugiu ao ser acusado de crimes sexuais. Ainda naquele ano, sua captura ocorreu e, na sequência, ele foi condenado a cumprir prisão perpétua por dois delitos relacionados a agressão sexual.
O documentário lançado em 2022, “Mantenha a Doçura: Reze e Obedeça”, trouxe um retrato detalhado da trajetória de Jeffs, acompanhando desde sua ascensão ao poder até a sua queda pública, segundo informações do site oficial do filme.
Após a prisão de Jeffs, Samuel Bateman, outro ex-integrante da FLDS, assumiu o comando de um pequeno grupo que contava com aproximadamente 50 seguidores. Bateman autoproclamou-se profeta e esteve envolvido em uma rede de abuso sexual infantil, que afetou ao menos 10 menores em diferentes estados dos Estados Unidos. Ele acabou sendo preso em setembro de 2022 por essas acusações graves.
No fim de 2024, Bateman foi sentenciado a 50 anos de reclusão depois de se declarar culpado por conspiração para o transporte de menores com fins sexuais e sequestro, colocando um ponto final em mais um capítulo sombrio da história associada à seita FLDS. Todas essas ações foram divulgadas em detalhes pelo Departamento de Justiça dos EUA.
Investigação, prisão e impacto na comunidade
Em 2016, os documentaristas Tolga Katas e Christine Marie se estabeleceram em Short Creek com o objetivo de registrar os acontecimentos que sucederam o sumiço de Jeffs. Com uma experiência pessoal, Christine Marie dedicou-se a estudar a psicologia por trás de cultos, especialmente após sua própria experiência traumática com um falso líder na adolescência.
Bateman mostrou-se aberto para entrevistas, aceitando conversar com os cineastas para expor suas convicções, enquanto eles, paralelamente, reuniam provas que indicavam práticas ilegais para serem entregues às autoridades competentes. Durante essa fase, Marie acabou colaborando diretamente com o FBI ao fornecer vídeos que continham confissões gravadas do próprio Bateman.
Depois da detenção de Bateman em 2022, as autoridades do Departamento de Segurança Infantil do Arizona tomaram a responsabilidade sobre as vítimas menores. Em novembro do mesmo ano, aconteceria um episódio dramático em que Bateman e aliados sequestraram oito meninas de residências temporárias, mas felizmente, a polícia conseguiu resgatá-las com sucesso.
Dentre os envolvidos no sequestro, três seguidores – Naomi Bistline, Donnae Barlow e Moretta Rose Johnson – foram detidos e cumpriram suas sentenças. Notoriamente, Naomi, conhecida como ‘Nomz’, relata que essa prisão marcou uma virada decisiva para se desvincular da influência de Bateman.
Mesmo encarcerado, Bateman mantém comunicação diária por telefone com suas esposas, o que contribui para a manutenção de seu domínio sobre o grupo. Julio Johnson, que se distanciou de Moroni Johnson (condenado a 25 anos por conspiração envolvendo menores), foi peça-chave ao expor Bateman e auxiliar os cineastas no processo investigativo.
Moretta Johnson, após cumprir um ano na prisão pelo sequestro, conseguiu romper com a ideologia do FLDS e construiu uma nova vida familiar. Já Christine Marie segue firme em sua luta, oferecendo apoio público a sobreviventes e ex-integrantes do culto, incluindo o apoio contínuo a Naomi Bistline.
Para compreender mais sobre a história e o impacto dessa seita, recomendamos visitar o site oficial da FBI e acompanhar as atualizações do Netflix, plataforma onde o documentário está disponível.









